domingo, 30 de setembro de 2007

De regresso a Aveiro

Depois de ter passado o fim-de-semana em Montemor com a avó Tita, o avô Bitó, o Gui, a tia Lénia e o tio João Pedro, voltei a Aveiro, primeiro para a casa da avó São e do avô Jorge - onde tomei banho e jantei - e depois para a minha casa. No caminho para casa, ainda fui tendo energia para cantar nos intervalos do sono e quando chegámos bebi o xarope para a tosse - que nunca mais me larga! -, lavei os dentes, calcei umas meias e bebi o titito. E depois fui para a caminha que amanhã é dia de ir para a escolinha. Pedi ao papá para deixar a luz do corredor acesa e adormeci. Quando acordar, chamo «papá, papá» bem alto para começar um novo dia.
Dorme bem, mamã. Adoro-te.

sábado, 29 de setembro de 2007

Dia de ir à médica

Ontem foi uma noite agitada: acordei às 3 da manhã toda molhada de chichi e o papá teve de me mudar o pijama e levar para a cama dele. O papá estava doente e não conseguia dormir e decidiu pegar num rádio para ouvir música; eu não percebi o que ele estava a fazer e julguei que se estava a preparar para se levantar e a procurar os óculos na mesinha de cabeceira, por isso pedi-lhe: «Os óculos não. Fica aqui».
Depois a avó Titã e o avô Bitó foram-me buscar à escolinha e eu fiquei toda contente por vê-los. A avó foi comigo e com o papá à médica, que me fez uma série de maroteiras: mediu-me, pesou-me, enfiou-me um pau pela boca abaixo, apalpou-me a barriga e outras coisas, e nem o papá nem a avó fizeram alguma coisa para a impedir. Apenas diziam coisas como «Não custa nada», «Nós estamos aqui contigo» ou «Está quase a acabar». Ficou registado!
Depois desta tortura fui para Montemor, para bem longe daquela senhora! Nunca mais vou à médica! Ouviram?

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Diálogos

Papá: Posso ir para a tua escolinha?
Eu: Não.
Papá: Porquê?
Eu: Porque é minha. Tu vais para a tua.

Exterminadora implacável

Hoje não bati em ninguém na escolinha. A professora Daniela disse ao papá que tinha quase a certeza que ontem eu só bati no Jorge porque ele me fez alguma maroteira primeiro. A minha versão é igual à do Scolari: eu limitei-me a responder a uma agressão.
De resto, comi bem, dormi bem e brinquei muito. Depois o papá foi-me buscar cedinho e fomos passear a Aveiro - ele levou-me ao parque infantil e estive lá a brincar quase uma hora. E ainda ficava outra e outra e outra... Pelo meio apeteceu-me fazer chichi e o papá levou-me à casa de banho, mas depois o chichi não saiu. Mais tarde pedi ao papá para me pôr uma fralda e aí sim, saiu tudo o que tinha a sair, cocó incluído.
Já em casa, os meus brinquedos do banho transformaram a banheira numa espécie de jardim zoológico. Já lavadinha e de pijama vestido fomos jantar - da sopa (de alho francês, feita pelo papá) só comi três colheres, e só porque o papá me ameaçou que só assim eu podia comer as 'almongas'; ainda experimentei couve-flor e até que nem é nada mau. Sumo e maçã (das nossas, das poucas que não tinham bicho) completaram o menu preparado pelo Chef Papá.
Quando estava na cozinha vi um insecto pequenino a passear por lá e fui atrás dele; encontrei-o pousado numa parede, ao meu alcance, e vai daí... zás!, uma palmada bem dada que o matou... Eu acho que fiquei assustada ou com remorsos, porque desatei numa choradeira que só o colinho do papá conseguiu parar. «Mmaaattteeei aaa moooscaaa!», solucei eu. O papá deu-me muitos beijinhos e o desconsolo passou...
Depois fomos passear no bairro e como não estava quase ninguém na rua eu perguntei: «As pessoas?» O papá disse que as pessoas estavam em casa a preparar-se para ir dormir, mas eu acho que não acreditei... Ainda estivemos um bom bocado a olhar para a lua, que estava muito redondinha.
E amanhã é dia de ir à médica. Espero não ter pesadelos. Vou pensar em ti, mamã, para ter sonhos cor-de-rosa. Dorme bem.

Dormir até muuuuuuuuuuito tarde

Hoje eu e o papá levantámo-nos muito, muito, muito tarde: passavam 5 minutos das 8 da manhã. Eu acordei cedinho, mas o papá levou-me para a caminha dele e ainda lá fiquei a passar pelas brasas até me apetecer o titito.
Hoje na escolinha vou tentar não bater em ninguém.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Hoje bati num menino

Hoje bati num menino lá da escola, o Jorge. A professora Daniela contou ao papá que desconfiava que o Jorge me tinha batido primeiro e que eu me limitei a responder. Mas não foi nada de especial, apenas um pequeno arrufo...
Quanto ao resto, almocei bem e dormi bem. Depois o papá foi-me buscar e fomos para casa. Durante a viagem de carro, fui o tempo todo a pedir pêssegos ao papá e obriguei-o a ir comprá-los à mercearia lá do bairro. E depois não os comi!
Ao jantar voltei a não comer a sopa, mas o resto - frango com arroz, sumo e morangos - soube-me bem. Depois andei um bocadinho com os óculos escuros em casa enquanto brincava com o papá.
Até amanhã, mamã.

Generala

Alvorada às 6.30. É a tropa que o papá nunca fez, e quem manda sou eu, generala com as estrelas todas! Ele é o soldado raso, e sem direito a pré! Talvez um dia destes o promova a segundo-cabo.
Tarefas que o mandei cumprir hoje de manhã: dar-me o titito morno no copo do Noddy com palhinha, na sala com a televisão sintonizada nos desenhos animados; lavar-me; vestir-me; levar-me à escolinha enquanto ouvimos a música dos patinhos.
E logo há mais ordens para cumprir! Ele que se prepare!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Milagre

Um milagre, garantiu o papá! E dos grandes! Hoje decidi finalmente comer sopa ao jantar. Depois de vários dias sem que tivesse engolido uma gotinha que fosse desse caldo que em má hora alguém decidiu inventar, lá fiz a vontade ao papá e comi uma pratada quase cheia. E devo reconhecer que até nem me soube nada mal! Depois ainda comi peixinho, bróculos, cenoura, batatas, morangos e sumo de laranja e maçã. Havias de ver, mamã, fiquei cá com uma barriga! Mas não penses que fiquei molengona! Nem pensar! Ainda tive energias para brincar com o papá e de o obrigar a enfiar-se na minha casinha, onde lhe pedi para fazer desenhos. Um dos desenhos que lhe pedi para fazer foi do avô Jorge e o papá perguntou se ele tinha muito ou pouco cabelo. «Pouco», disse-lhe eu.
Antes disso, o papá foi-me buscar à escolinha, onde aconteceram dois imprevistos: fiz chichi nas calças quando estava a fazer ó ó e quando estava a almoçar. Ups! Esqueci-me de avisar!
Hoje fartei-me de pintar com os meus amigos - desenhei uma bola azul, amarela, verde e vermelha.
Depois fui com o papá passear a Aveiro (pelo caminho disse «ui, que cheirete!» quando passámos pela ria) - fomos ao parque infantil, onde brinquei com uma menina chamada Marta, comprámos um pato que grasna para o banho (foi um castigo para o papá me tirar da loja, porque eu queria experimentar os brinquedos todos) e ainda aproveitei para fazer um cocozito.
Depois fomos para casa onde tomei banho já com o meu novo pato - eram três na banheira, além de duas baleias, um cavalo marinho, duas estrelas do mar, dois barcos e mais brinquedos (quase que nem se via a água!).
Depois jantei, limpei o chão com a esfregona enquanto o papá lavava a loiça, brinquei e bebi o titito para ir fazer ó ó, tudo enquanto ouvíamos um disco de um senhor chamado Sérgio que parece que é um bocadinho gordo - «Andas aí a partir corações, como quem parte um baralho de cartas...»
Até amanhã, mamã. Um grande beijinho meu e outro do papá.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

De volta à escolinha

Hoje voltei a ir dormir um bocadinho para a cama do papá. Ontem à noite estava triste e nem me apetecia comer. Depois de um fim-de-semana de tantas emoções, estava mesmo a precisar de uma noite bem dormida – ainda acordei uma vez, mas o papá levou-me para a caminha dele e dormi até quase às 8 horas (o papá é que não dormiu grande coisa porque ele diz que eu me mexo muito). De manhã já estava mais bem-disposta e ainda tive um bocadinho de tempo para ver desenhos animados (a Miffy e o Noddy), antes de ir para a escolinha ter com os meus amigos e as minhas professoras.

domingo, 23 de setembro de 2007

Alegrias e tristezas

Este foi um fim-de-semana de grandes alegrias e de grandes tristezas. Maior alegria: a mamã voltou. Maior tristeza: a mamã partiu outra vez.
Pelo meio, eu, a mamã e o papá passeámos muito, brincámos, fomos ao parque infantil, vimos o mar, comemos gelados e batatas fritas, dormimos juntos, démo-nos muitos beijinhos e xi-corações, ouvimos música, lemos histórias, regámos a relva, fomos à Costa Nova e à Vagueira, vimos a lua e as estrelas, comprámos roupa quentinha para mim, andámos de patins, corremos, rodopiámos, fizemo-nos cócegas e muitas, muitas outras coisas de que eu agora já não me lembro.
Foi tão bom ter-te aqui, mamã! Volta depressa! Adoro-te.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Pai Natal

Esta noite vou dormir em casa do avô Jorge e da avó São porque o papá vai buscar a mamã, que chega de avião com muitas prendinhas para mim. Em casa do avô e da avó fiz algums birras - não queria vestir o pijama, não queria comer, etc, etc, etc. Os adultos têm de perceber que quando uma bebé está com sono fica mais birrenta e caprichosa do que o costume.
Antes de ir para casa do avô e da avó, o papá levou-me ao parque infantil depois de me ir buscar à escolinha. A Daniela disse-lhe que eu me continuava a portar bem e que não arranjava conflitos com ninguém, ao contrário de outros meninos.
Quando estava a passear com o papá, ele fez-me vestir o casaco porque estava um bocadinho de frio. Ele explicou-me que tínhamos entrado no Outono e que o Inverno estava quase a chegar, e com ele o vento, o frio e a chuva. «E o Pai Natal», acrescentei eu. O papá perguntou-me o que eu queria receber no Natal e eu disse-lhe que queria uma bola, um balde, uma pá e um ancinho. Espero que o Pai Natal seja generoso comigo!

Uma boa noite de sono

Hoje passei a noite toda a dormir – foi uma noite sem história. De manhã ainda ensaiei uma ou outra birra, mas nada de especial: não me queria lavar e não queria beber o titito a não ser no copo do Noddy.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Arrebitada

A Daniela disse hoje ao papá que eu já estava mais «arrebitada» na escolinha, mas que isso não significava que eu me andasse a portar mal.
Hoje descuidei-me e fiz chichi nas calças. Mas em contrapartida dormi sem fraldas e acordei sequinha.
Ao almoço comi tudo menos a massa. Ao jantar comi tudo menos a sopa.
Adeus, mamã. Vou sonhar contigo.

De óculos escuros à noite

Ontem esqueci-me de te dizer que quando fomos passear a seguir ao jantar levei os óculos escuros. Fiz cá uma figuraça!
Hoje, depois de uma noite em que voltei a ir para a cama do papá ainda de madrugada, lá fui para a escolinha. «Fica um bocadinho comigo», pedi.
O papá disse à Daniela que eu andava a recusar comer a sopa ao jantar e perguntou-lhe se eu na escolinha a comia e ela garantiu que sim. E também disse que com outros meninos e meninas acontecia o mesmo: comer a sopa na escola e não a comer em casa.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Mais uma batalha vencida na luta contra o opressor doméstico

Pelo quarto jantar seguido não comi a sopa. De uma coisa podes estar certa, mamã: o papá tentou de tudo para eu a comer, mas eu não cedi e disse para a comer ele. Ele tentou várias abordagens: mansa («come a sopa, fofinha»), persuasiva («come a sopa, vá, anda lá, come a sopa»), brincalhona («a sopa vem de avião até à boca da Carolina, brrrrum»), zangada («come a sopa imediatamente»), condescendente («vá, come a sopa se não ficas pequenina»), mas nada resultou. Foi uma batalha de dez minutos que o papá não conseguiu vencer. O resto do jantar até nem comi mal - uma almondega e meia, arroz, bróculos, milho, pão, sumo de maçã e morango, morangos e duas fatias de bolo de mármore.
Depois fomos os dois passear um bocadinho no bairro e eu ouvi um bebé a chorar e perguntei ao papá: «o bebé está no médico?» O papá riu-se e disse que não, e depois lembrou que para a semana tenho eu de ir à médica. Oh não!!!!!!!!!! Que tortura que vai ser! Espero que ela não me enfie aquela coisa pela goela abaixo e que deixe os meus ouvidos em paz! E espero que não me obrigue a ficar hirta que nem uma barra de ferro para me medir!
Durante o passeio ainda falei um bocadinho com a avó Tita, com o avô Jorge e com a avó São, mas foi só mesmo para dizer «olá», que eu não gosto de telemóveis... No fim da primeira volta ao quarteirão pedi ao papá para continuarmos a passear e ele fez-me a vontade. Aproveitámos para ver a lua e as estrelas e o papá disse que um dia me ensinava as constelações (mas também disse que primeiro tinha que as aprender).
Depois voltámos para casa e acabámos o dia a pôr uma fralda, a beber o titito (sempre na sala, sentada no sofá) e a ir para a caminha.
A minha vida com o papá é feita destes rituais de tarefas a cumprir - banho, vestir, jantar, fraldas...; logo, é feita de pequenas zangas e amuos. Mas é sobretudo feita de muito amor e ternura. «Adoro-te, papá», disse-lhe eu quando fui fazer ó ó.
E também te adoro, mamã.
Até amanhã.